Spotify Recap de 2025

No meu Spotify Recap de 2025, não houve surpresa: o compositor que mais ouvi foi Sergei Rachmaninov. De alguma forma, ele sempre retorna — e talvez nunca tenha ido embora.

Rachmaninov me acompanha especialmente por obras que considero absolutamente centrais para a história da música: o Concerto para Piano nº 2, o Concerto nº 3, as Prelúdios, os Études-Tableaux e as Variações sobre um Tema de Paganini. Há nele uma combinação rara de lirismo profundo, densidade emocional e uma melancolia que nunca soa vazia.

Além da música, sou profundamente interessado na biografia de Rachmaninov. Sua trajetória pessoal, marcada por períodos de bloqueio criativo, retraimento, intensidade emocional e posterior ressurgimento artístico, sempre me chamou a atenção. Como psiquiatra e amante da música, é inevitável que surjam reflexões clínicas — há elementos em sua história que levantam hipóteses leves e especulativas sobre um possível transtorno bipolar tipo II, algo que, evidentemente, não pode ser afirmado e deve ser visto apenas como exercício intelectual e histórico, nunca como diagnóstico retrospectivo.

Independentemente de qualquer hipótese, o que permanece inquestionável é o seu gênio. Rachmaninov transformou sofrimento, silêncio e intensidade emocional em uma linguagem musical única, capaz de atravessar gerações e tocar algo muito profundo em quem escuta com atenção.

Ouvir Rachmaninov com tanta frequência em 2025 foi, para mim, mais do que um hábito musical — foi uma forma de estar em contato com uma estética, uma biografia e uma sensibilidade que dialogam diretamente com aquilo que mais me interessa: a complexidade da mente humana.

E, ao que tudo indica, ele continuará no topo dos meus recaps por muitos anos.

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