Psiquiatria, Ensino e Música Clássica: onde tudo se encontra

Psiquiatria, Ensino e Música Clássica: onde tudo se encontra

Se existe algo que verdadeiramente me move na psiquiatria, além do cuidado clínico, é dar aula. Ensinar psiquiatria é, para mim, um exercício profundo de escuta, sensibilidade e interpretação do humano. E é justamente nesse ponto que a música clássica entra de forma natural na minha prática como professor.

Sou profundamente apaixonado por piano e por compositores que marcaram não apenas a história da música, mas também a minha própria trajetória intelectual e emocional. Rachmaninov, Chopin, Beethoven e Tchaikovsky atravessam minha formação de forma indelével. Suas obras, suas biografias e seus conflitos internos dialogam diretamente com temas centrais da psiquiatria: sofrimento psíquico, genialidade, melancolia, resiliência, criação e limite.

Rachmaninov, em especial, ocupa um lugar muito particular na minha história. Sua relação com depressão, silêncio criativo e retorno à composição é algo que frequentemente utilizo como ponte para discutir transtornos do humor, identidade e subjetividade em sala de aula. Mahler também aparece com frequência, não apenas pela grandiosidade musical, mas pela densidade existencial que sua obra carrega.

Nas minhas aulas de psiquiatria, gosto de correlacionar conceitos clínicos com a biografia desses compositores, seus contextos históricos, suas crises e seus processos criativos. Estudo profundamente a vida desses autores porque acredito que a psiquiatria não se aprende apenas nos manuais — ela se aprende também na arte, na cultura e na história.

Ao longo dos anos, tive o privilégio de assistir a apresentações de grandes pianistas internacionais, como Nikolai Lugansky, Valentina Lisitsa e Yuja Wang, experiências que ampliaram ainda mais minha escuta musical e sensibilidade estética. Também tive contato pessoal com maestros de renome internacional, o que reforça minha conexão viva com o universo da música clássica.

Acredito profundamente que um bom psiquiatra precisa ser também um observador atento da cultura, da arte e da condição humana. Misturar psiquiatria com música clássica não é um recurso didático — é uma forma de pensar o mundo, o sofrimento e a complexidade da mente humana.

Ensinar psiquiatria, para mim, é exatamente isso: ciência com profundidade cultural, rigor técnico com sensibilidade artística.

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