Experiência no Ambulatório de Depressão Resistente da UFRJ

Experiência no Ambulatório de Depressão Resistente da UFRJ

Atuei por um ano no Ambulatório de Depressão Resistente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma experiência que foi fundamental para a minha formação clínica e para a consolidação do meu olhar técnico sobre quadros depressivos complexos e de difícil manejo.

Nesse período, tive contato diário com pacientes que já haviam sido expostos a múltiplas tentativas terapêuticas, incluindo diferentes classes de antidepressivos, estabilizadores de humor, antipsicóticos, estratégias de potencialização e abordagens combinadas. Muitos desses pacientes apresentavam histórias longas de sofrimento psíquico, refratariedade ao tratamento convencional e impacto funcional significativo, o que exigia um raciocínio clínico cuidadoso, individualizado e baseado em evidências.

Conviver com esses casos me proporcionou um aprendizado profundo e contínuo, tanto do ponto de vista técnico quanto humano. Aprendi a reconhecer nuances diagnósticas, a rever hipóteses, a respeitar o tempo do paciente e a compreender que a depressão resistente não é apenas uma falha de resposta medicamentosa, mas frequentemente envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais complexos.

Durante essa atuação, adquiri experiência prática no manejo farmacológico da depressão resistente, incluindo o uso criterioso de estratégias avançadas de tratamento. Tenho experiência com a prescrição de cetamina em contextos indicados, bem como com o uso de esketamina intranasal (Spravato®), sempre dentro de critérios técnicos rigorosos, avaliação cuidadosa de risco-benefício e acompanhamento clínico próximo.

O ambulatório foi um espaço de aprendizado intenso, discussão de casos complexos e contato direto com abordagens modernas para depressão refratária. Foi ali que consolidei uma postura clínica mais madura, crítica e responsável, entendendo que tratar depressão resistente exige não apenas conhecimento técnico, mas também escuta qualificada, paciência e compromisso longitudinal com o paciente.

Essa experiência segue influenciando diretamente minha prática clínica atual, permitindo que eu ofereça um cuidado mais seguro, atualizado e individualizado a pacientes que enfrentam quadros depressivos de maior complexidade.

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